[Por Raquel Júnia] As mortes ocasionadas pela violência da polícia no Rio de Janeiro não haviam tido destaque na grande mídia até os últimos dias. Depois da morte do jovem de classe alta Daniel Duque Pittman na porta de uma boate, e do garoto João Roberto Soares, filho de um taxista, ambos vítimas da violência policial, a mídia comercial começou a falar do problema. A pergunta que fica é por que a mídia sempre fala de “incompetência” da polícia? Incompetência? Ao contrário é isso que aprenderam e muito bem.


De “Tropa de Elite”, a polícia foi chamada, por alguns veículos que a louvavam, de “Tropa da Vergonha”. O comprometimento de muitos meios de informação comerciais com essa “política de segurança” praticada no Rio de Janeiro fica claro quando os jornais e telejornais chamam o que ocorre no Rio de Janeiro de guerra. Em uma situação de guerra tudo vale para acabar com o “inimigo”.

Isso tudo é referendado pela grande mídia, que transforma esta “guerra” em material sensacionalista, que faz coro à alcunha de Bope de “Bopecida, o inseticida social”. Agora, lamentam as mortes de Daniel e João Roberto. Já haviam lamentado antes, ainda que com menos ênfase, as mortes dos três jovens Wellington Gonzaga da Costa, David Wilson Florêncio e Marcos Paulo da Silva Correa do Morro da Providência, entregues pelo exército para serem mortos por traficantes.

 

Impossível não se lembrar do que falou uma das mães presentes no ato de um ano da Chacina do Alemão. “Quando a polícia começar a matar os filhos das mães brancas, o problema será resolvido”.