A afirmação é do professor e sociólogo Luis Fernando Novoa em debate sobre a Área de Livre Comércio das Américas, Alca, em Santos (SP). Os Estados Unidos, a partir da eleição do governo Bush e de 11 de setembro, mais especificamente, querem impor ao mundo um projeto unilateral, que o professor define como “projeto de hegemonia total”

A periferia dos Estados Unidos — a América Latina e o Caribe — vai entrar com algumas contribuições cruciais para esse projeto, que no caso se esboça com a Alca. “Produziremos exatamente aquilo que eles (o governo e as grandes corporações americanos)  precisarem. A nossa agricultura não será para alimentar o nosso povo e não vai ser para formar cadeias agroindustriais exportadoras”, observa Luis Fernando Novoa, que também é da coordenação da ATTAC (Associação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos) de Campinas.

O papel do Brasil e dos outros países da América Latina e do Caribe passa a ser “suplementar” na ordem da Alca. “Seremos eternamente acessórios dos americanos, sem a possibilidade de projetar e lutar por margens de autonomia”, adverte o professor, que também destaca o rebaixamento político nesses países.

Para que se tenha uma economia do padrão Alca, ou seja, um padrão rebaixado, é preciso ter, também, uma política de igual padrão. Ou seja, desqualificada. Uma política que seja a reprodução dos interesses do sistema. Políticos que administrem as solicitações e imposições do mercado, que mantenham a taxa de câmbio como o sistema econômico quer, que mantenham os pagamentos da dívida externa que estabilizem o fluxo de capital deles (americanos).

Nessa política servil aos interesses das grandes corporações dos Estados Unidos inserem-se, também, os políticos que defendem a desregulamentação das leis trabalhistas, das leis ambientais e dos serviços públicos.

Neocolônia

Luis Fernando Novoa vê a Alca como a volta aos tempos de colônia. “Uma colônia onde as relações sociais serão relações de exclusão. Não teremos uma sociedade, mas um conjunto de extratos sociais incomunicáveis, onde a única relação possível com o outro passa a ser a violência, o preconceito e o racismo. No fundo é uma política de extermínio. Estamos vivendo a prévia de uma sociedade totalitária que a começa a se esboçar 

(Rosângela Ribeiro Gil)