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Com o objetivo de traçar um panorama sobre como a mídia impressa nacional aborda assuntos relacionados à comunicação, a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) divulgou, na terça-feira (20/03), o estudo “Mídia e Políticas Públicas de Comunicação”. A principal conclusão levantada pela pesquisa é que a cobertura da mídia sobre o tema é seletiva e parcial nos pontos que mais lhe são sensíveis, como regulação de conteúdo e concentração de meios. O documento de 226 páginas, elaborado em parceria com a Fundação Ford – disponível em PDF aqui –, partiu da análise de 1184 matérias publicadas entre 2003 e 2005 em 53 jornais de todos os estados do País e também em quatro revistas de circulação nacional. “Coletamos o material no período de dois anos e passamos 2006 analisando os textos. Cada um deles era avaliado em uma ficha de análise com 700 itens. Fizemos uma apuração bem detalhada do status quo da mídia impressa”, informa Guilherme Canela, coordenador de atividades acadêmicas da Andi e responsável pela pesquisa. Já na introdução, o documento reconhece o papel da mídia como ferramenta reguladora do poder, à qual recai a obrigação de transmitir informações contextualizadas aos diferentes setores da sociedade e também de acompanhar e cobrar as instituições governamentais. Desenvolve questionando como a mídia, que possui responsabilidades tão prementes na estrutura do poder, acompanha suas próprias ações. Os dados apontam que os jornais publicam um texto sobre mídia a cada cinco dias e que as revistas o fazem com uma freqüência inferior a um a cada duas semanas, o que a Andi classificou como muito aquém da relevância do tema para um regime democrático. Entrevistas com diversos profissionais de mídia nacional, como Alberto Dines e Elvira Lobato, repórter da Folha de S. Paulo, e textos afins publicados em outros meios preenchem o documento. Fartura de dados “Diante disso, cabe imaginar um cenário em que qualquer outra instituição central para a democracia – o Executivo, por exemplo – contasse com uma cobertura de proporções similares. Não é difícil deduzir as conseqüências”, analisa o texto. O estudo aponta que Folha de S. Paulo, O Globo, Correio Braziliense, Jornal do Brasil e O Estado de S. Paulo publicaram 22% do total de textos, sendo cada um deles responsáveis por 4,4% em média. Os outros diários respondem por 1,12% em média e as quatro revistas analisadas – IstoÉ, Veja, Época e CartaCapital – por 22,4% do total, sendo que esta última escreveu 11,2% de todos os textos sobre mídia estudados. Interesses cruzados Tais interesses velados ficam claros ao se comparar O Globo e O Estado de S. Paulo, dois dos maiores periódicos do país, que têm desempenho discrepante na cobertura da mídia. Enquanto o primeiro faz parte de um conglomerado que reúne a rede de TV, editora, rádios e muitos outros, o segundo possui uma ramificação bem mais modesta. Como resultado, o Estado publicou 7,8% dos textos analisados, 2,6 vezes mais do que O Globo. “A legislação não inibe essa propriedade cruzada, que resulta em uma cobertura mais monocórdia”, ressalta Canela. O mesmo raciocínio é levado em consideração para explicar a baixa participação percentual dos jornais nordestinos nas matérias analisadas. Apesar de serem maioria numérica, esses diários atuam em um meio onde a relação entre mídia e poder político é historicamente mais promíscua do que em outros estados da federação. Conclusão “Fechamos o capítulo 4 com uma declaração do Comitê de Ministros da União Européia sobre concentração de mídia e democracia para mostrar que isto é uma preocupação das instâncias internacionais. Veículos como New York Times e The Economist têm editorias sobre mídia. Se a imprensa nacional ignorar isso, vai perder o bonde da história”, diz Guilherme Canela. Próximos passos A Andi também monitora cinco telejornais e não descarta fazer pesquisa semelhante sobre a mídia televisiva. |