Autor: Luisa Vieira

Virada Comunicação: jornalismo do ponto de vista das periferias  

[Rosângela Ribeiro Gil – NPC/SP] A partir das identidades e dos territórios periféricos, em 16 de setembro a Rede Jornalistas das Periferias realiza a primeira edição da “Virada Comunicação”, cujo objetivo é debater, refletir e apontar caminhos à abordagem de temáticas do cotidiano de quem mora nas bordas da metrópole. Juntos, os 13 coletivos que compõem a Rede Jornalistas das Periferias dialogam com um público médio de um milhão de internautas por mês.

O encontro é voltado a estudantes e profissionais da comunicação, ativistas e movimentos sociais, moradoras e moradores das periferias da Grande São Paulo. Com mais de dez horas de atividades, a Virada vai mesclar oficinas de comunicação, intervenções culturais e mesas com a participação de 34 convidadas e convidados, que debaterão temas como a conjuntura atual das periferias, genocídio e segurança pública, questões de gênero, etnias e identidades, educação e cultura, transporte e desenvolvimento local, moradia e meio ambiente, democratização da mídia e formas de atuação na comunicação.

A “Virada Comunicação” será realizada no Centro Cultural do Grajaú, que fica na Rua Professor Oscar Barreto Filho, 252 – Grajaú – Extremo Sul de São Paulo.

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A quem interessa o discurso de “guerra”?  

[Por Luisa Santiago – NPC] “A partir desta edição, o leitor passará a encontrar em nossas páginas uma expressão que, até então, nossos jornalistas evitavam: a guerra no Rio.” Assim começa a matéria de capa do jornal Extra desta quarta, dia 16.08.2017. E continua: “(…) tudo aquilo que foge ao padrão da normalidade civilizatória, e que só vemos no Rio, estará nas páginas da editoria de guerra”. O jornal Extra, portanto, passará a ter uma Editoria de Guerra. Que a situação da segurança pública no Rio de Janeiro é complicada, ninguém discorda. Mas para quem serve dar legitimidade ao discurso de que estamos em uma guerra, como faz o jornal ao inserir essa editoria em sua pauta? Ainda que diversos espaços da cidade – e o Jacaré é o exemplo mais recente – sofram diariamente com a violência, não podemos aceitar o argumento de que estamos em um estado de exceção onde direitos podem ser suspensos e existe um inimigo a ser eliminado, como é o caso dos territórios em guerra. Isso só serve para legitimar a violência desenfreada que o Estado, através da Polícia, impõe nas favelas e periferias da cidade e que, em nome da “guerra às drogas”, tem como consequência uma série de violações dos direitos humanos e a morte de muitas pessoas. Ao adotar o discurso da guerra, o jornal cumpre um determinado papel na disputa simbólica: o de agente “naturalizador” da violência do Estado contra a população pobre.

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Venezuela e a ditadura midiática do seu ‘madruga’

[Por Renata Mielli | Mídia Ninja] A Venezuela está na boca do povo brasileiro. As pessoas, de norte a sul do país, tem na ponta da língua uma opinião para dar sobre a crise política que vive o país vizinho. E sem medo de errar, atiram: a Venezuela é uma ditadura, é preciso tirar aquele Maduro de lá e libertar o povo. Impressionante é imaginar como a esmagadora maioria das pessoas, que nunca estiveram na Venezuela, tem tanta propriedade para falar dela. Ou falam dela sem propriedade mesmo, com direito a confundir o sucessor de Hugo Chávez com o personagem Madruga, da série mexicana.

Ah, mas é claro, estão repetindo, ou tentando repetir, o que dizem Globo & Cia. Em tempos onde a mídia transforma a política em novela mexicana, transformar golpes em democracias e democracias em ditaduras é tudo uma questão de roteiro.

A mídia hegemônica não começou a taxar a Venezuela como uma ditadura ou um governo antidemocrático agora. Não mesmo. O país que recolocou no glossário político internacional as palavras proibidas – revolução e socialismo – sempre foi tratado como um perigo para a democracia. |

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