Autor: Luisa Vieira

Por Najla Passos: Morre Vito Giannotti. A luta continua, porra!

O Brasil perdeu nesta sexta (24) Vito Gianotti, o escritor italiano que escolheu o Brasil para viver e para lutar em prol dos trabalhadores. Operário, dirigente sindical, educador e comunicador popular, ele era coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), o principal centro de treinamento e produção em comunicação popular e sindical do país. Leia mais.

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Por Sérgio Domingues: Vito Giannotti (1943…)

É foda! Vito se foi. Nos deixou um monte de ensinamentos. Um dos mais importantes: continuar aprendendo sempre. Tudo isso em meio a muitos palavrões carinhosos. Mas ele tá muito vivo, porra! Agora, um pouco de luto. Só o bastante pra continuar na luta que ele jamais abandonou. Bem unido façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional… Valeu, Vitão!

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Por Marcelo Souza

Desde sexta-feira, quando recebi, através da Katia Marko, a notícia da partida do Vito Giannotti, queria escrever alguma coisa. Alguma homenagem ao amigo tão querido. Mas sei lá, sentei algumas vezes e tudo parecia tão pequeno. Vito é daquelas pessoas que não passam impune na nossa vida. Alguma coisa a gente aprende. Pode aprender a escrever de forma que os outros entendam. Aprende a fazer um jornal bonito. Aprende que jornal tem que ter infográfico. Aprende a falar palavrão. Aprende a cantar a Internacional. Aprende que a comunicação tem lado. Aprende qual é o teu lado. Mas, principalmente, aprende a ter carinho com o próximo, aprende a ser generoso, aprende que ser revolucionário é, antes de mais nada, ter um coração enorme que acredita que o ser-humano tem jeito sim.

Lembro de uma vez em sua casa, no Rio de Janeiro, o Vito falar que na cabeça ele era comunista, mas lá no fundo o seu coração era anarquista. Esse era o Vito Giannotti, um tipo de gente que está cada vez mais difícil de aparecer. Como se diz aqui no Sul, vinho de outra pipa.

Pensar que não vou mais ouvir aquela vozeirão falando “E aí magrão? Como é que vai?” e logo depois começar um papo sobre o momento da política, dói. Mas sei que como tempo essa dor vai dar lugar a gratidão de ter convivido por quase vinte anos com uma pessoa tão especial.

Talvez a coisa mais importante que eu aprendi com esse italiano seja que, quando ele falava “A luta continua, porra!”, era a mesma coisa de falar “a vida continua, porra!”. Pois para ele vida e luta sempre foi uma coisa só. Valeu Vitão!!

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Por Breno Altman: Morreu um bravo

Faleceu, no dia 24 de julho, aos 72 anos, um dos mais dedicados, destemidos e criativos militantes sociais deste país, o italiano Vito Giannotti, brasileiro de coração.

Era um revolucionário sem dogmas e preconceitos.

Quando abraçou a causa do socialismo, em sua pátria natal, soube dos kibutz israelenses e teve a esperança de que lá, no final dos anos 50, nascia um mundo novo.

Arrumou suas malas e mudou-se para Israel, sem ter qualquer vínculo com o judaísmo.

Quebrou a cara. Decepcionou-se com o que viu e viveu. Rapidamente desistiu do sionismo, do qual passou a ser crítico implacável, procurando a encarnação de suas convicções socialistas em outras plagas.

Resolveu, então, se juntar à epopéia latino-americana, mudando-se para o Brasil, empregando-se em uma metalúrgica e atuando no movimento sindical logo após o golpe militar de 1964.

Foi um dos grandes animadores da oposição sindical metalúrgica de São Paulo, nos anos 70 e 80.

Dedicou-se especialmente à tarefa de educar o sindicalismo combativo para a tarefa da comunicação, pois considerava essa a principal ferramenta para radicalizar a consciência de classe e pavimentar o caminho ao socialismo.

Desde os anos 90, mudando-se de São Paulo para o Rio de Janeiro, liderou a constituição do Nucleo Piratininga de Comunicação (NPC), formidável experiência para o debate dos temas da informação e para a formação de animadores da luta social. Leia mais.

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Por João Pedro Stédile, do MST: Perdemos um grande camarada, Vito Giannotti

Vito Giannotti chegou da Itália em 1964, com 21 anos.

Tornou-se um brasileiro legítimo. O povo brasileiro o adotou. Operário metalúrgico, fez militância sindical durante toda ditadura militar. Sábio e autodidata, se transformou em jornalista.

Era um defensor intransigente, seguindo o mestre Gramsci, de que a classe trabalhadora precisa construir seus próprios meios de comunicação. Ajudou a formar diversos jornais e boletins da classe, entre eles o jornal Brasil de Fato nacional e o tabloide BdF do Rio Janeiro. Deve ter dado milhares de palestras pelo Brasil à fora incentivando a comunicação da classe. Leia mais.

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