Autor: Luisa Vieira
Ocupação da Maré, no Rio de Janeiro
[Por Claudia Santiago-NPC] No dia 30 de março de 2014, a favela da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi ocupada por forças policiais do Estado. Na TV víamos imagens de alguns moradores, muitas crianças, conversando com os policiais, hasteando a bandeira e brincando com a cavalaria. As imagens eram dos moradores, a fala era do Estado. O secretário de Segurança e o governador, sempre ladeado pelo vice, tiveram todo o espaço que precisaram para expor a sua versão dos fatos. Alguns moradores expressaram timidamente suas ideias pelas redes sociais. Em algumas regiões da cidade do Rio de Janeiro moradores são submetidas ao triplo controle do Estado, do tráfico e das milícias e suas interligações. [Foto: Mauricio Campos]
consulte Mais informaçãoA mídia que abraçou a ditadura não faz mea culpa, faz peça publicitária – Entrevista com Beatriz Kushnir
Não é novidade que a imprensa brasileira teve participação efetiva na articulação civil-militar que derrubou o presidente João Goulart. Com a exceção de alguns poucos veículos de comunicação, como o jornal carioca Última Hora e a TV Excelsior, que se colocaram em defesa da ordem democrática e foram posteriormente perseguidos pelo regime militar, todos os principais grupos de mídia deram apoio explícito à intervenção militar. Passados cinquenta anos do episódio histórico que deu início a uma ditadura que durou mais de 21 anos, os veículos de mídia que apoiaram o golpe têm se visto na obrigação de dar explicações que relativizem sua participação no evento. Valendo-se de desavergonhado contorcionismo retórico, os editoriais dos jornalões têm, em linhas gerais, justificado a opção pelo golpismo como fruto de um período conturbado em que extremismos de todos os lados não teriam permitido um posicionamento moderado. Em entrevista à Carta Maior, Beatriz Kushnir desconstrói o mito de que houve oposição ferrenha entre a censura do regime militar e os grandes grupos de comunicação.| Por Caio Hornstein, na Carta Maior | Leia a entrevista completa.
consulte Mais informaçãoPor Beatriz Kushnir, autora do livro Cães de Guarda, em entrevista a Caio Hornstein, na Agência Carta Maior em 01.04.2014
“A autocensura não foi inventada naquele momento (regime militar). A autocensura é uma prática constante em qualquer empresa de comunicação. Todo jornalista sabe disto. O jornal, a rádio, a TV são exemplos de empresas, negócios, lucros. Vende-se um serviço de utilidade pública: a notícia. Os governos, quando querem calar as vozes de oposição nos meios de comunicação, soltam verbas publicitárias. Como toda empresa tem um dono, nos meios de comunicação só é publicado o que o patrão acha conveniente”.
consulte Mais informaçãoPor moradora da favela da Maré em 01.04.2014
“Senti uma respiração forte e ofegante com um hálito quente em meu rosto. Meio sonolenta, abro os olhos e me deparo com um cão e homens de preto a minha volta. Susto, medo e revolta. Meu quarto tomado por desconhecidos da lei e perguntas que não sei responder. Todos os dias eles vem na minha casa. Já não durmo de camisola, porque essa visita pela manhã virou rotina e tenho que estar preparada para recebê-los. Hoje já entraram duas vezes. Minha casa virou o Batalhão da Polícia Militar”.
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