Por Jaime Alves
O maior ataque criminoso perpetrado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo tem muito a nos dizer sobre a crise do sistema de segurança pública no Brasil, sobre a crise de legitimidade da ação policial e expõe as fraturas de uma sociedade marcadamente desigual no acesso de brancos e negros à Justiça e aos bens sociais. Aqui, a segurança pública sempre foi vista sob a rubrica da militarização, da brutalidade contra os negros e do combate aos inimigos internos sob o eco da Ordem. As prisões são concebidas como depósitos de seres humanos inviáveis. Os maus-tratos e a tortura foram institucionalizados no imaginário autoritário da polícia e tornaram-se procedimento -padrão. Assim se arranca de jovens negros confissão de crimes, se forja flagrantes baseados na cor da pele, se criminaliza os pobres (…) Em 16 de maio de 2006