A cada dia que passa, percebo que os jornalistas brasileiros continuam a desconhecer a Bolívia e a idiossincrasia dos povos hispano-americanos. Quando falam do Paraguai a confusão é enorme: continuam insistindo que José Luís Argaña, o vice de Cubas, foi assassinado. Somente a TRIBUNA, através do Nonato Cruz, disse a verdade: profanação de cadáver. Era um doente grave falecido no dia do suposto assassinato. Os adversários de Raúl Cubas aproveitaram o fato para armar um homicídio inexistente. Pouco sabem do Uruguai a não ser que era a Suíça do continente; isto é, depositária do dinheiro dos infratores. Da época histórica dos Tupamarus, sabem o trivial e pouco da participação dos ricos estudantes que se revoltaram contra a pobreza dos camponeses. Na última guerra mundial, quem bombardeou a Suíça? Imaginem se alguém iria mexer na lavanderia do seu dinheiro ilegal.
Recentemente, Jarbas Passarinho escreveu que Che Guevara morreu no Altiplano andino. Não, Che morreu na zona tropical, não teve adesão dos camponeses porque a Bolívia já tinha feito a reforma agrária. No filme “Diário de motocicleta”, Che, asmático, teria atravessado um largo rio para chegar ao leprosário. Quanta imaginação sem pé nem cabeça! Agora, a estrela do firmamento político da América Latina é o indígena aymara Evo Morales. O que sabem dos seus antepassados? Morales é descendente do único povo que os incas não conseguiram subjugar com seu império de justiça e paz, porque os aymaras eram guerreiros. Através dos séculos preservaram seu idioma, seus costumes e sua alma bélica. São eles, os aymaras que fazem as revoluções em La Paz e não permitem ditaduras.
Sabiam, meus colegas brasileiros, que nos séculos 19 e 20 a Bolívia só teve duas ditaduras de sete anos cada uma? Melgarejo no século XIX e Banzer no Século XX. Quando Garcia Meza, em 1980, deu um golpe de Estado e anunciou que em 20 anos consertaria a Bolívia, o povo disse “o Zero nós tiramos”. E tiraram. Não podiam aceitar um narcotraficante na Presidência da Bolívia.
Agora, toda notícia sobre Evo Morales, o cocalero, faz a confusão de sempre. Explica: cana de açúcar não é cachaça. Uva não é vinho. Folha de coca não é cocaína. A cor escura da Coca é feita com chá de coca e não é cocaína. As plantações de coco do Chapare estão sendo transformadas em plantações de frutas que a Bolívia exporta para os países nórdicos da Europa sob a supervisão de especialistas que não aceitam agrotóxicos nas plantações.
Quanto às folhas de coca, elas são essenciais e indispensáveis para manter o vigor dos autóctones na preservação de sua energia para enfrentar as dificuldades alimentares e respiratórias dos mineiros. Desde criança mastigo coca e acho ótima. Todos os dias bebo meu chá de coca. Reforça minha saúde e embala meu civismo. Adoro meu chá boliviano como o café brasileiro.
(Por Maria Teresa Dal Moro)