fei betto

[Por Renato Pompeu/ Caros Amigos] Frei Betto, como outros estudantes dominicanos de São Paulo, esteve preso dos 25 aos 29 anos de idade, de 1969 a 1973. Foi condenado pela Justiça Militar como colaborador de opositores armados à Ditadura de então. Cartas que ele escreveu do cárcere a familiares, amigos e outros dominicanos foram publicadas em dois livros nos anos
1970, em pleno regime militar: Das catacumbas e Cartas da prisão.

Agora, todas as cartas das duas obras foram reunidas em um só volume: Cartas da prisão – 1969 – 1973. O livro foi recém-lançado pela Agir.

Os jovens de hoje precisam conhecer como se vivia naqueles tempos. Os que passaram por aquela época também enriquecerão suas experiências se a relembrarem. Para todos, é recomendada a leitura dessas cartas. Segue um trecho da primeira delas, de 7 de dezembro de 1969, escrita no Presídio Tiradentes, em São Paulo:    

Quando o espírito é forte, a prisão é suportável. Ninguém se mostra abatido ou chateado. Todos demonstram bom estado de espírito. Felizmente, cessaram os interrogatórios. Agora é saber aproveitar o tempo. Esse período não é um hiato em minha vida, é o seu prosseguimento normal; sei que passo por uma importante experiência.