[Por Igor Fuser] Quando ingressei como redator na editoria de assuntos internacionais da Folha de S.Paulo, um colega veterano me ensinou como se fazia para definir quais seriam as notícias merecedoras de destaque no jornal do dia seguinte. “É só olhar os telegramas das agências e ver o que elas acham mais importante”, sentenciou. Ele adotava esse método como um meio seguro de evitar que o noticiário destoasse dos jornais concorrentes, que se comportavam do mesmo modo. Quem pautava, portanto, a cobertura internacional da imprensa brasileira eram apenas três agência noticiosas — Reuters, Associated Press e United Press International, todas afinadas com as prioridades geopolíticas dos Estados Unidos.
Passadas mais de duas décadas, a cobertura internacional da mídia brasileira ainda se orienta por diretrizes estrangeiras. As informações internacionais que circulam pelo planeta são quase sempre aquelas que correspondem aos interesses de Washington. Quem confia nessa agenda está condenado uma visão parcial e distorcida, uma ignorância que só se revela quando ocorrem “surpresas”, como a rebelião popular que derrubou o governo da Tunísia. De repente, o mundo tomou conhecimento de que a Tunísia era governada há 23 anos por um ditador corrupto, odiado pelo seu povo. Como ninguém sabia disso?
A mídia silenciou sobre o despotismo na Tunísia porque se tratava de um regime servil aos interesses políticos e econômicos dos EUA. E o caso da Tunísia não é o único na região. No vizinho Egito, outro regime vassalo dos EUA, Hosni Mubarak governa ditatorialmente desde 1981.
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