O jornalista José Arbex Jr participou da mesa de abertura do 15° Curso Anual do NPC, que ocorreu no dia 11 de novembro. Ele analisou a crise de Honduras, e disse que o golpe recente mostra que a Doutrina Monroe, do lema “A América para os (norte-)americanos” está em declínio, pois a hegemonia dos Estados Unidos no continente está abalada. Além de citar os governos de Hugo Chavez, Evo Moralez e Rafael Correa como claros opositores ao domínio dos Estados Unidos na região, Arbex pontuou outros fatores de enfraquecimento. Ele lembra que, a partir de 2000, destaca-se o protagonismo dos povos originários, que já tinham mostrado resistência desde o movimento zapatista.

“Honduras foi um dos países que mais sofreram a influência do plano de hegemonia dos EUA, com a instalação no país das empresas de exportações das frutas – inclusive a United Frutes, conhecida por ter comandado o golpe na Guatemala contra Jacob Arbens”, disse Arbex. Ele lembrou também que, na década de 1980, os Estados Unidos instalaram uma base militar em Honduras (Base de Palmirola) a 30 quilômetros da capital Tegucigalpa. “O país era considerado porta-aviões não afundável dos Estados Unidos”, comentou Arbex.  

Como o jornalista observa, a justificativa para o golpe reproduzida pela mídia comercial foi a afronta à Constituição que representou a consulta popular que Zelaya propunha. “A mídia no Brasil é extremamente competente. É muito fácil aceitar a versão de que é o caso de alguém que quer se perpetuar no poder etc. Mas, o que esses veículos não contaram é que Zelaya incorporou Honduras à Alba, aliança criada por Cuba e Venezuela em 2004 para fazer frente à Alca”. Outra possível explicação para o golpe silenciada pelos meios empresariais foi a intenção de fechamento da Base de Palmirola por Zelaya, e sua transformação em aeroporto civil. Tudo isso ocorre junto à instalação das sete bases militares da Colômbia, com a desculpa de combate ao narcotráfico. “O Obama mantém as mesmas práticas de Bush, mas com um discurso de veludo. O Prêmio Nobel representa uma carta branca às ações dos Estados Unidos no Afeganistão, já considerado pelo jornal inglês The Economist como um ‘novo Vietnã’”, concluiu.