O filme Linha de Passe, exibido no encerramento do 15° Curso Anual do NPC, traz às telas como protagonistas personagens da periferia de São Paulo. Dirigido por Walter Moreira Salles e Daniela Thomas, o filme foca em uma família da periferia de São Paulo que passa por crises financeiras e dificuldades no relacionamento. Cleuza é uma mulher grávida, mãe de quatro rapazes, que sobrevive no trabalho informal fazendo faxinas; o menino Reginaldo procura o pai obsessivamente; Dinho tornou-se pastor e trabalha
Em debate realizado após a exibição do filme, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol/RJ) chamou a atenção para uma cena em que um personagem-símbolo da burguesia de São Paulo não consegue sequer olhar nos olhos do jovem assaltante. Para Freixo, isso demonstra a cultura do medo e da violência reproduzida diariamente pela mídia comercial. O final, em aberto, mostra que, como lembrou João Pedro Stédille, não há saídas individuais no capitalismo. O que existem são soluções coletivas, quando as pessoas começam a se organizar para uma mudar a sociedade em que vivem.
“O Walter é um dos poucos cineastas que usam a arte para conscientizar, não só para divertir. Temos que aprender que a imagem é muito forte, tanto a favor quanto contra o povo. E disso a Globo sabe. Talvez ela tenha sido quem mais aprendeu, aqui no Brasil, os ensinamentos de Goebbels, da propaganda nazista: repetir, repetir as imagens, até transformar uma mentira em verdade”, disse Stédille. É por isso que Linha de Passe vale a pena: por saber usar a força da arte visual com o objetivo de conscientizar e estimular o pensamento crítico.