1) A primeira é ilustrativa do modelito que o grupo no poder vem adotando. Na página 3 do caderno principal, em matéria de página inteira intitulada “Chapa Serra-Rita agora é oficial”, com o subtítulo: “Comigo não tem calote nem confisco, diz o tucano ao ter a candidatura homologada” e direito a grande fotografia onde se dão as mãos FHC, Ruth Cardoso, Serra e a mulher… Página quase propagandística, diriam alguns… O texto, elogioso, comenta:

” Se não fosse pelas cores das bandeiras, dos cartazes e dos outdoors, qualquer um poderia apostar que se tratava de uma convenção americana. A festa de homologação da candidatura de Serra foi inspirada no modelo americano de convenções. Muita tecnologia, luzes, câmaras que se movimentavam em gruas, gigantescos cartazes coloridos, balões e torcidas organizadas. Uma produção impecável, que custou cerca de meio milhão de reais”.

2) A segunda é mais séria e grave. No mesmo jornal e caderno, na página seguinte (p. 4), a coluna de Helena Chagas intitulada “FH cuida da saída” nos remete a pensar exatamente o caso da Argentina e a nos indagar sobre a irresponsabilidade reinante. Depois de mencionar que FHC não terá problemas de trabalho após a saída da presidência, diz Chagas: “Permanece, porém, aquela assombração que, diz-se, há muito povoa os piores pesadelos de Fernando Henrique: o medo de ser preso ou passar por constrangimentos provocados pelo Ministério Público ou pela Justiça.” Helena Chagas enfatiza a honradez do atual presidente e atribui tal medo a “rumores”, que “dão conta de que, no MInistério Público, onde o governo não tem exatamente uma maioria de amigos, há planos para pegar Fernando Henrique na esquina”(…) “Com pouco espaço de manobra, o Planalto está numa sinuca. Tem duas possibilidades legais de alterar as regras [para impedir uma prisão]: a emenda constitucional que cria a figura do senador vitalício para ex-presidentes e o projeto de lei que restaura o foro privilegiado do STF para ex-presidentes e ex-parlamentares nos processos que tratam de atos executados durante o mandato.”

 Isso não faz lembrar Pinochet? Isso não nos faz pensar na profunda desqualificação da política realizada ao longo dos últimos 20 anos? Que diferença ainda existe entre máfias e eleitos? A proximidade é clara: ambos devem ficar fora do alcance de qualquer justiça…

 

(Virginia Fontes)