Camus ilustrar o movimento da revolta servindo-se do quadro hegeliano da dialética senhor/escravo: durante muito tempo o escravo aceita tudo, obedece ao senhor, mas pouco a pouco vai-se instalando a impaciência e com ela nasce um sentimento, um valor pelo qual vale a pena viver e dar a vida, inclusivamente, se for necessário.

Este valor transforma-se num bem supremo: é o tudo ou nada- a vertigem da revolta. Este “tudo ou nada” significa que o escravo se sacrifica por um bem que ultrapassa e seu próprio destino. O fundamento desse valor é a própria revolta.

[Trecho do ensaio A questão do Sentido em Albert Camus –

por Isabel Mª Magalhães R.L. Santos Maia]