A escadaria da biblioteca pública Benedito Leite, na praça Deodoro, em São Luís, foi tomada na manhã de dia 11 de outubro por militantes do Movimento Reage, formado por várias entidades sindicais e populares, num protesto contra a implantação do Pólo Siderúrgico na ilha de São Luís. O empreendimento liderado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), em parceria com a corporação chinesa Baosteel, visa instalar na ilha de São Luís, próximo ao porto do Itaqui, um complexo de três usinas e duas gusarias em uma área de 2.471 hectares, onde moram cerca de 14 mil pessoas em 11 comunidades rurais. Cada usina teria capacidade de produzir 7,5 milhões de toneladas por ano, totalizando 22,5 milhões de toneladas. Siderúrgicas deste porte, em ilhas, são rejeitadas por estudos técnicos de várias instituições científicas que alertam para os graves riscos ambientais e sociais, como a poluição do ar, do solo e do subsolo, além dos impactos causados pelo deslocamento de comunidades tradicionais.

O projeto é defendido pelos governos federal e estadual e acolhido pela Prefeitura de São Luís, com respaldo da quase totalidade dos meios de comunicação, que vêem no pólo oportunidades de geração de empregos diretos e indiretos, bem como o incremento da escalada desenvolvimentista do Maranhão, a exemplo da monocultura de soja, voltada para a exportação.

 “A luta contra a implantação dessas usinas em São Luís está apenas começando. A ilha não comporta mesmo uma usina siderúrgica, pelos impactos sociais e ambientais que esta instalação irá causar”, afirma o advogado Guilherme Zagallo, um dos coordenadores do Reage, enfatiza Zagallo.

(Por Ed Wilson Araújo)