A rotina no Centro de Tecnologia da UFRJ foi quebrada na tarde de segunda-feira, dia 8. Starlet dançava solta e frenética pelos corredores, ao som dos versos de Raul Seixas entoados pela banda Fantásticos: “Controlando a minha maluquez / Misturada com minha lucidez / Vou ficar… Ficar com certeza maluco beleza” (…). Starlet é o nome “artístico” de Rosiléia da Motta, que, como parte dos músicos da banda, é usuária do Instituto Municipal de Psiquiatria, Nise da Silveira.

O Caia nesta Loucura marcou o mês dedicado à luta antimanicomial. Na ocasião foi assinado um convênio com o Ministério da Saúde que fortalece a rede de projetos de iniciativas de geração de trabalho, renda e inclusão dos portadores de transtorno mental. A Incubadora de Cooperativas Populares da Coppe (UFRJ) organizou o evento. Além de oficinas sobre formação, técnica de vendas e qualidade, e de debates, grupos de clientes de 20 centros de atenção psicossocial do Rio de Janeiro apresentavam seus trabalhos.

Em sintonia com a diversidade
Uma das barraquinhas exibia produtos feitos com sementes nativas da Amazônia. Era do Projeto Patoá, que atende aos usuários dos centros de psiquiatria da Zona Oeste. O Centro Artur Bispo do Rosário criou, em março de 2002, o Arte, Horta & Cia, que funciona dentro da antiga Colônia Juliano Moreira, com trabalhos de culinária, bijuterias e velas decorativas. 
Os músicos do grupo Fantásticos são participantes de projetos como a Editora Encantar-te e da Escola de Informática e Cidadania, do Instituto Nise da Silveira.

Gonçalo Guimarães, coordenador da Incubadora, explica que há 10 anos trabalha com cooperativa de usuários da rede de saúde mental e que há cerca de 70 projetos sendo desenvolvidos no Rio de Janeiro. “Com os projetos de inclusão, os usuários são menos internados, aumenta a auto-estima e o uso de remédios diminui estupidamente”, afirma Gonçalo.

(Por Regina Rocha)