Ao comentar sobre as manifestações do movimento sindical em defesa do salário mínimo de R$ 580, a jornalista Lúcia Hipólito, da rádio CBN (Globo), acusou os líderes sindicais de truculentos. Disse também que estavam ameaçando a presidenta e colocando o governo numa situação constrangedora. O Estadão seguiu o mesmo tom, dedicando ao tema seu principal editorial da edição de quinta-feira, 20 de janeiro. O título é altamente sugestivo: “As centrais ameaçam Dilma”. Ambos os veículos selecionaram algumas declarações mais enérgicas dos sindicalistas contra a atual política econômica (e seus juros altos, ajuste fiscal e câmbio flutuante), para incompatibilizá-los com a presidenta.
De acordo com os costumes, leis e regras da democracia e do bom senso, é sagrado o direito de o povo protestar de forma pacífica e levantar nas praças e avenidas suas bandeiras, em geral com caráter progressista. Isto nunca constituiu ameaça alguma a governos democráticos. Mas as classes dominantes costumam se incomodar diante de toda e qualquer manifestação dos trabalhadores, conscientes de que seus interesses estão quase sempre em contradição e choque com os do povo. Mais do que legítima e democrática, a manifestação do movimento sindical é orientada por uma causa justa, popular e progressista.
Sabemos que, ao longo da história brasileira, a direita e sua mídia nunca foram tolerantes com os movimentos sociais. Parecem sentir a terra tremer quando se tem notícia de mobilização popular. Deram o golpe em 64 jurando que estavam destruindo a “república sindicalista”.
Leia o texto completo de Umberto Martins no Portal Vermelho.