Publicado em 25/08/10
O governo argentino revela a suposta cumplicidade entre os diários Clarín, La Nación e La Razón e o regime militar para assumir o controle da empresa Papel Prensa em 1976.
O relatório “Papel Prensa: a verdade”, de 22 mil páginas e cuja versão resumida tem cerca de 400, apresentado pela presidenta argentina, Cristina Kirchner, “apresenta e sistematiza provas irrefutáveis da cumplicidade entre a ditadura militar e os donos dos diários Clarín, La Nación e La Razón”, disse em declarações a uma rádio a representante do Estado na direção da Papel Prensa, Beatriz Paglieri.
Fundada em 1972, a empresa, que abastece a 170 diários de todo o país, está nas mãos do Clarín — o maior grupo de mídia do país e em enfrentamente com o governo — com um cota de 49%, do Estado (27,46% de forma direta e 0,62% de propriedade da agência de notícias Télam) e do La Nación (22,49%), enquanto que 0,43% fica com terceiros.
Clarín e La Nación, os dois principais jornais da Argentina, denunciaram que o relatório é parte de uma ofensiva do governo de Cristina Kirchner para anular sua participação majoritária na maior fabricante de papel para jornais do país. O relatório inclui o testemunho de Lidia Papaleo, viúva do banqueiro David Graiver, acionista da Papel Presa e supostamente vinculado ao agrupamento guerrilheiro Montoneros, que diz ter sido forçada a vender suas ações em 1976 sob torturas e ameaças de morte por parte do diretor do Clarín, Héctor Magnetto, e da ditadura militar (1976-1983).
O relatório “Papel Prensa: a verdade” também conterá denúncias sobre supostas irregularidades administrativas e práticas de competição desleal por parte da direção da Papel Prensa, controlada pelos acionistas privados.