O mundo está de olho na África do Sul, país sede da Copa do Mundo de 2010. Essa é a primeira vez que o evento mundial acontece no continente, e teve a maior participação de seleções africanas da história: estiveram na primeira fase Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Nigéria, além da África do Sul. O continente, no entanto, enfrenta desafios ainda mais difíceis e urgentes que os enfrentados em campo. Sobre as carências de ordem econômica, social e política que existem na África, foi lançado um guia alternativo chamado Scoring for Africa, que significa algo como “marcando pontos para a África”. Os responsáveis são Kofi Annan, presidente do Painel para o Progresso da África, e também Didier Drogba, o atacante da Costa do Marfim que foi destaque na partida do dia 20/06 contra o Brasil. Além de jogador, o que poucos sabem é que ele é embaixador da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
A publicação analisa, além dos dados referentes ao futebol, as estatísticas sociais e econômicas dos países que estiveram na primeira fase. Ao lado da posição dos países no ranking da Fifa, há a colocação em outras listas, como a do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), da percepção de corrupção, do desempenho ambiental e da competitividade. As tabelas dos jogos também trazem números do PIB (Produto Interno Bruto), da emissão de gás carbônico e da expectativa de vida, entre outros. Além disso, é feita uma avaliação dos pontos positivos e negativos na relação entre as duas nações envolvidas em cada jogo, e uma lista de “faltas” cometidas pelos dois lados.
Na apresentação, Kofi Annan e Didier Drogba fazem uma cobrança enfática aos países ricos. “Muitos países africanos e em desenvolvimento ainda estão em grande desvantagem. Eles não têm permissão de competir internacionalmente em um campo nivelado, com um árbitro imparcial e uma série de regras e normas claras e aceitas. Longe disso. O que seria um escândalo no mundo do futebol é ainda algo comum na sociedade das nações”, escrevem os dois.

                                                                                                      [Com informações do PNUD]