Uma das primeiras medidas do ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao voltar de férias, no final de janeiro, foi revogar a autorização concedida para mais uma retransmissora de TV à Igreja Renascer em Cristo. A autorização havia sido aprovada em favor da Ivanov Comunicação e Participações Ltda. para que esta retransmitisse em Vila Velha (ES) os sinais gerados pela Fundação Evangélica Trindade, da igreja Renascer, concessionária do canal 53 em São Paulo.  

A revogação foi motivada pelo fato de que o casal Sônia Haddad Hernandes e Estevan Hernandes, líderes da Renascer, foram detidos no início do ano, nos Estados Unidos, sob acusação de entrada ilegal de dinheiro e falso depoimento. No Brasil, o casal responde acusações de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato. Segundo o ministro, a decisão foi tomada a fim de “zelar pelo bem público”.  

A declaração soou estranha, uma vez que Costa é histórico defensor dos interesses privados na área da comunicação, em especial os da Rede Globo, empresa para a qual trabalhou por anos. Em seu mandato, Costa boicotou o projeto do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), atuando como lobista da indústria japonesa, ao lado dos grandes radiodifusores, e intensificou a repressão às rádios comunitárias. De qualquer forma, se a orientação é realmente zelar pelo bem público, que sejam revistas todas as concessões e aprovado o fim da renovação automática.