[Por Jéssica Santos – NPC] O lançamento do Dossiê dos Impactos e Violações da Vale no Mundo lotou o auditório Nelson Carneiro, na Alerj, no dia 15 de abril. Os participantes ouviram atentos uma breve apresentação do dossiê e relatos dos que sofrem com as ações da empresa no Brasil, no Canadá, em Moçambique e em outros países da América do Sul.


O dossiê reúne denúncias de violações de direitos trabalhistas e informações sobre os impactos socioambientais nas comunidades onde a Vale está localizada. O documento é um
registro das estratégias que a empresa utiliza quando inicia sua exploração num determinado território, feito a partir ponto de vista das comunidades, dos trabalhadores e das organizações da sociedade civil que lidam com a defesa de direitos humanos e do meio ambiente.

Canadá

No Canadá, trabalhadores da Vale-Inco estão há nove meses em greve. O sindicalista James West relatou que a empresa usou como desculpa a crise econômica para violar direito dos trabalhadores  conquistados através da luta. “Imagina perder tudo o que nossos avós conquistaram. Não poder passar nada para os nossos filhos. Só temos uma saída para isso não acontecer: lutar.”


Eixo Carajás

Quanto ao Eixo Carajás, José Ribamar relatou o impacto da construção da Estrada de Ferro dos Carajás, que praticamente dividiu um povoado ao meio e não há qualquer interesse da empresa ou das autoridades em melhorar a situação das populações locais.

Moçambique

A falta de interesse é a mesma em Moçambique. Jeremias Vunjanhe contou como a Vale enganou a população com o discurso do “desenvolvimento”.  A empresa ainda está se instalando no país, mesmo assim,  já ocupou terras, dividiu comunidades e violou direitos. “Nosso apelo é que esse primeiro Encontro olhe para Moçambique e obrigue a Vale a respeitar os direitos dos povos, principalmente os mais pobres”.

 
Peru

No Peru a situação não é diferente. Victor Acosta, representando países da América do Sul, denunciou as ações irresponsáveis da empresa, que degrada o meio ambiente. “Queremos que nossos bens naturais sejam de todos e não de um pequeno grupo de poder”.

 

Moises Silva, da caravana mineira, lembrou a luta dos trabalhadores na garantia de seus direitos. Além dele, a historiadora Virginia Fontes e os deputados Paulo Ramos e Chico Alencar deram depoimentos. O evento foi mediado pelo deputado Marcelo Freixo.