Entre o fim de 2005 e o começo de 2006, sem notícias de fácil exibição de políticos de Brasília, a grande imprensa recheou suas páginas com prognósticos para 2006, Carnaval, Copa do Mundo e futuras eleições. Até um incidente policial com o ex-jogador Viola ocupou o noticiário, na seção “nacional”, por alguns dias. E o Brasil real passou longe.

Cerca de 800 índios da comunidade Ñande Ru Marangatu, na região de Dourados (MS), foram expulsos de suas terras, após decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nelson Jobim. O órgão, em liminar em mandado de segurança promovido por alguns dos ocupantes da terra indígena ligados ao agronegócio, determinou a suspensão do processo administrativo de demarcação da área. “Protegidos” pela decisão, os fazendeiros, antes mesmo que a Polícia Federal executasse a ordem judicial, tomaram a iniciativa de queimar as cabanas e as plantações dos índios que ali viviam.

O fato correu o mundo via internet e via uma denúncia da Anistia Internacional. Aí, o jornal ‘O Estado de S. Paulo’ “cobriu” o assunto, sempre ao lado do agronegócio e das versões “oficiais”, que incluíram um presidente da Funai, Márcio Pereira Gomes, declarando que “há muita terra para pouco índio”.

(Por Rodrigo Otávio)