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Mais uma vez O Globo atacou as rádios comunitárias. Na capa do dia 10 de fevereiro, o jornal estampou o fechamento de cinco “rádios clandestinas” na Cidade de Deus. Na página 13, a matéria teve como título “Piratas fora do ar”. Em uma rápida análise do texto, percebemos que o jornal vincula as emissoras comunitárias ao crime organizado. Por exemplo: enfatiza que a operação da ANATEL para fechar as rádios não autorizadas teve o apoio de 50 policiais militares do Bope, a “tropa de elite” da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

De acordo com o jornalista Mario Augusto Jakobskind, é no mínimo discutível o argumento normalmente apresentado e reafirmado pelo jornal de que a freqüência dessas rádios interfere na aviação. “Especialistas não consultados questionam tal argumento, inclusive assinalando que nessa hipótese as rádios comerciais interferem até mais”, afirma. 

Para Tião Santos, do Viva Rio, não foi surpresa, já que “quem acompanha as lutas pela democratização da comunicação já cansou de ver esse tipo de notícia”. Como ele observa, as rádios não autorizadas que são perseguidas muitas vezes sofrem com a demora no processo de regularização. Tião Santos lembra que o Ministério das Comunicações recebeu mais de 18 mil pedidos de legalização. Mas só autorizou pouco mais de três mil emissoras, em 11 anos de regulamentação da lei de Radiodifusão Comunitária, a lei 9.612.  

Qual o motivo de tal discriminação? “No fundo não são as rádios, são as pessoas que as fazem, onde estão operando, a quem estão servindo. É a favela, a periferia, o povo expropriado. A discriminação é bem maior!”, conclui Tião Santos.