[Por Luiz Gustavo Porfírio – 09.02.11] Desde a última quarta-feira, dia 26, que os jornalistas do Egito e os correspondentes internacionais têm sofrido ataques. Dezenas foram agredidos e ameaçados por forças de uma ditadura que a mídia daqui só descobriu há poucas semanas. Um deles morreu, o egípcio Ahmed Mahmud,morreu atingido por franco-atiradores na varanda de seu prédio, próximo da Praça Tahrir. Neste domingo, véspera do enterro simbólico de Ahmed, quando seus colegas jornalistas fariam uma marcha pelo centro do Cairo, o correspondente do jornal Opinião Socialista Luiz Gustavo Porfírio entrevistou três jornalistas egípcios, na Praça Tahrir. Nesta entrevista, eles contam ao enviado do jornal do PSTU a realidade dos jornalistas sob uma ditadura. Participam os jornalistas Karem Yehia, 52, do Al-Ahram e Ahya Kalaish, 56, do Al-Gomuahya (O Público). Ahya é ex-secretário-geral do Sindicato de Jornalistas do Egito e está na oposição, desde que o regime impôs a eleição de um agente no sindicato. Outro jornalista, Hosni Abdel Lehim, se junta ao grupo depois e participa da entrevista. Eles contam como é a censura, denunciam a intervenção no sindicato, prisões e a resistência. A lembrança da nossa ditadura é imediata. A conversa é tumultuada, todos querem falar, acrescentar algo, denunciar. A revolução que sacode o Egito está pondo fim aos anos de chumbo de lá e acabando com o silêncio. Leia a entrevista completa.