A presidenta da Argentina Cristina Kirchner apresentou um informe oficial no qual acusa os grupos Clarín e La Nación de se apropriarem ilegalmente da empresa Papel Prensa, a maior fabricante de papel para jornais do país. “É como se a Folha e o Globo estivessem envolvidos em ‘crimes de lesa humanidade’ para lograr êxito no controle do papel de imprensa com o qual editam seus diários”, diz Cristóvão Feil em artigo publicado pelo Diário Gauche sobre o assunto.

O jornal O Globo, do dia 25 de agosto, atacou a ação da presidenta, dizendo que esta seria a “mais dura ofensiva contra os meios de comunicação”. Mas, segundo Alberto González Arzac, conselheiro de Estado na direção da Papel Prensa, existem “provas irrefutáveis” sobre a apropriação ilegal da empresa por parte dos atuais grupos do setor privado, o que significa o Clarin e La Nacion, sócios do Estado na empresa. O relatório que aponta as irregularidades da compra inclui o depoimento de Lidia Papaleo, viúva do banqueiro David Graiver, acionista da Papel Prensa que ficou conhecido como “banqueiro dos Montoneros”. Lidia diz ter sido forçada a vender suas ações em 1976 sob torturas e ameaças de morte por parte do diretor do Clarín, Héctor Magnetto, e da ditadura militar que durou de 1976 a 1983.  

As provas que vinculam os jornais ao regime militar fazem parte de um relatório de 233 páginas que o governo apresentará à Justiça e podem resultar na expropriação da companhia. Kirchner anunciou ainda que enviará ao Congresso um projeto de lei para controlar a produção e a distribuição de papel para jornais, hoje nas mãos de um monopólio. A empresa é acusada de atender apenas aos interesses dos maiores acionistas (Clarín e La Nación), e de vender o papel que sobrava aos jornais do interior a preços mais altos. 
Leia o artigo completo de Cristóvão Feil.