CangaceirosO livro Infoproletários, degradação real do trabalho virtual (Boitempo) trata da relação entre o uso de novas tecnologias e a imposição de condições de trabalho do século XIX no setor informacional. Na contramão do otimismo em relação a esse novo segmento, a obra mostra que os trabalhadores, ainda hoje, vivenciam uma tendência crescente de alienação do trabalho em escala global.
A obra mostra que a tecnologia não aliviou a precarização do trabalho, mas a transformou. A classe trabalhadora é retratada em duas representações: de um lado os operadores de telemarketing e, do outro, os programadores de software.

Segundo Michel Burawoy, o livro revela a experiência cotidiana vivida por essa nova classe trabalhadora globalizada. Para ele, “a obra aponta para a profunda transformação sofrida pela classe trabalhadora e o projeto de movimento internacional operário, ante os parâmetros verificados por Karl Marx em seu tempo. Apenas a articulação entre múltiplas identidades – de gênero, de nacionalidade, de raça, assim como de classe – lhes permitirá se rebelar contra o mercado e desafiar o capital global. Mas, mesmo assim, apenas em um grau limitado e de uma forma fragmentária”.

Os organizadores do conjunto de ensaios e artigos são os sociólogos Ricardo Antunes e Ruy Braga.