[Por Jéssica Santos] Que o lazer é um direito constitucional muita gente sabe. Mas poucos conhecem as possibilidades reais do lazer como ferramenta de ação social. O projeto Usina da Arte, do Instituto Usina Social, acaba de lançar o livro Lazer e Periferia – um olhar a partir das margens, organizado pelos pesquisadores Mônica Monteiro e Cleber Dias.
A publicações traz ensaios sobre o lazer tanto sob a ótica dos teóricos acadêmicos, quanto pela experiência adquirida com as oficinas realizadas no bairro de Jardim Catarina,
Entre os artigos, está o texto “Lazer, no Brasil: primeiras aproximações a uma outra história”, de Flávia da Cruz Santos. A ideia é mostrar a existência de um outro lazer, produzido e vivido pela classe trabalhadora. Numa perspectiva histórica, o lazer pode ser visto como as atividades realizadas no tempo livre, ou seja, quando não se está trabalhando. Assim, pode ser considerado um produto dos interesses das elites econômicas, que pensa e cria mecanismos para controlar o tempo dos trabalhadores fora do horário de serviço.
Porém, as atividades consideradas pela elite como vadiagem e preguiça eram manifestações culturais populares, produzidas e vivenciadas pelo povo. Um exemplo é o próprio samba. Décadas atrás, ser identificado como sambista era o suficiente para receber voz de prisão. Vale deixar a reflexão sobre os dias atuais. Será que manifestações musicais ditas periféricas, como o hip hop e o funk, não são legítimas expressões culturais e de lazer que, hoje, vêm sendo estigmatizadas pelos meios de comunicação a serviço da burguesia – assim como foi o samba antigamente?