(Resumo de um artigo mais longo)
Nos dias 16 e 17 de maio reuniram-se em Madri os chefes de Estado ou de governo dos paises da América Latina, do Caribe e da União Européia. Foi a segunda cimeira dessa envergadura; a primeira aconteceu no Rio de Janeiro em junho de 1999. O objetivo principal desses encontros de cúpula é de promover a cooperação política mas sobretudo

econômica entre as duas regiões. A UE prefere tratar com entidades regionais; está negociando acordos com a América Central, o pacto andino e o Mercosul; tem acordos com Chile e México. A UE está lutando para não perder a sua influência não só econômica mas também política e cultural na AL e deixar a região sob uma maior hegemonia dos EUA. A cúpula de Rio em 1999 devia acelerar a negociação para chegar a um eventual acordo já em 2002. Mas 1999 foi o ano da desvalorização do Real; o Mercosul se retraiu e a Argentina entrou em recessão, com ataques contra o peso. Sem definição comercial clara de parte do Mercosul, as negociações emperraram.

O desmoronamento da Argentina, a indefinição da rodada comercial mundial do Milênio, e até o contexto eleitoral no Brasil não permitem avanços nas negociações UE-Mercosul. Dos dois lados existe uma certa desilusão. Desde os anos de ditadura os EUA vão aumentando sua hegemonia política, militar, cultural e comercial. O projeto da ALCA representa uma etapa decisiva e definitiva nesse processo de dominação e anexação da região. O acordo EU-Mercosul representa uma possibilidade de equilibrar a influência dos EUA. O Mercosul tem mais condições de negociar um comércio mais justo e não só mais comércio livre com a EU que com os EUA. Um próximo encontro interministerial no Brasil no final do ano deveria relançar o processo. Já é tempo! O Brasil pode e deve assumir uma maior liderança.

Pe. Bernardo – Brasília