O Equador foi assunto principal dos noticiários internacionais do final de setembro devido a uma tentativa de golpe de Estado no país contra o presidente Rafael Correa. O estopim da crise foi um protesto da Polícia Nacional do Equador contra um projeto de lei aprovado pela Assembleia Nacional, no qual um dos artigos prevê reduções nos benefícios salariais da categoria. Mas, para Correa e outros membros do governo, esse foi apenas um pretexto para a tentativa de golpe.
Na manhã do dia 30 de setembro, a polícia de Quito tomou os quartéis e bloqueou vias de transporte com o apoio da Força Aérea. Cerca de mil policiais da capital e de outras cidades, como Guayaquil e Cuenca, participaram da ação. O presidente tentou conversar pessoalmente com alguns dos manifestantes e foi atacado com bombas de gás lacrimogêneo. Ele foi levado ao hospital da polícia, sitiado pelos rebelados, o que deu início a um drama de quase doze horas. O saldo foi de dois mortos e 88 feridos em todo o país, segundo a Cruz Vermelha. O comandante da Polícia, Freddy Martínez, insistia que o presidente estava “protegido”, mesmo depois que os populares mobilizados pelo chanceler Ricardo Patiño foram repelidos a bombas e tiros. 20 deputados governistas também ficaram presos dentro da Assembleia, tomada por policiais. Depois de tentar negociação com os policiais, o presidente Correa autorizou um resgate militar que terminou bem-sucedido. Uma multidão esperava Rafael Correa no Palácio. Na manhã do dia seguinte, 1º de outubro, o comandante Freddy Martínez anunciou sua renúncia ao cargo.
Durante o tumulto, a TV estatal equatoriana foi tomada. Aqui no Brasil, pudemos acompanhar minuto a minuto essa tragédia devido à transmissão ao vivo, pela internet, da cobertura feita pela Telesul. Além de manter parte da equipe nas ruas, acompanhando de perto a mobilização popular e o sequestro do presidente eleito democraticamente em um hospital de Quito, a emissora latino-americana fez diversas entrevistas e acompanhou todo o discurso de Rafael Correa após seu resgate.
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[Com informações da Carta Capital]