
No ato, MC Fiell, aluno do NPC, defendeu a importância da Rádio Santa Marta
Na quarta-feira, 4 de maio, membros de movimentos sociais, moradores da comunidade Santa Marta, favela em Botafogo, zona sul do Rio, e amigos da rádio foram às ruas pela liberdade de expressão e em defesa da emissora. A manifestação ocorreu um dia após a emissora ter sido fechada em uma ação da Polícia Federal e da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Os agentes lacraram todos os equipamentos e levaram o transmissor. O Rapper Fiell (Emerson Claudio Nascimento) e Antonio Carlos Peixe, diretores da emissora, foram levados para prestar depoimento nas dependências da Polícia Federal. Parece ironia, mas a ação repressora que fechou a rádio comunitária do morro carioca ocorreu no Dia Mundial de Liberdade de Imprensa, decretado pela ONU em 1993.
Este seqüestro dos equipamento e intimidação dos atores da Rádio Santa Marta se insere na série de mais de 10 mil casos de rádios comunitárias invadidas, fechadas e inviabilizadas nos múltimos 8 anos de governo. As perguntas a serem respondidas são várias: 1 – A quem interessa o fechamento destas rádios? 2 – Quem mandou fechar a Rádio Santa Marta e as outras? 3 -Qual é o sistema de “concessões” de rádios e TVs no Brasil? 4 – O que a Conferência Nacional de Comunicação definiu sobre este assunto?
A rádio Santa Marta foi construída de forma coletiva por moradores da comunidade e amigos. Por ser uma conquista dos trabalhadores, recebeu as doações de equipamentos para o seu funcionamento e cursos de capacitação para os locutores e colaboradores da rádio. A primeira transmissão ocorreu durante uma aula do Curso de Comunicação Comunitária do NPC no ano passado. Os participantes da rádio estavam preparando a legalização de funcionamento junto ao Ministério das Comunicações.
A programação da Rádio segue normalmente pela internet: www.radiosantamarta.com.br
Alan Tygel tem acompanhado os acontecimentos representando o Núcleo Piratininga de Comunicação.