Há ainda quem se escandalize com o tratamento parcial que a mídia dá a esta disputa eleitoral. E há crianças e quase adultos que acreditam na cegonha e no Papai Noel.

E nas faculdades de comunicação continua-se a falar em neutralidade da notícia. Jornais, rádios e TV são órgãos isentos, neutros, objetivos e informativos. Seu único objetivo é a notícia, nada mais que a notícia.

Essas são as balelas ensinadas por muitos professores, ou absolutamente cegos ou absolutamente espertos.

Mas o pior não é que estudantes saiam das faculdades acreditando nesta besteira. O pior é que este mito é passado para milhões e milhões de telespectadores, prezados ouvintes e ignaros leitores.

O que toda a nossa mídia está fazendo com Lula é de furar os olhos de qualquer observador semi-acordado. Há um inimigo comum e dois queridinhos. Lula X Serra e Ciro. Esta e a opção dos donos dos meios de comunicação do Brasil. Nisto não conta absolutamente nada à vontade, desejos, sonhos, veleidades ou raivas dos jornalistas. Quem manda é o dono. Quem paga a orquestra escolhe a música, se dizia antigamente, antes dos DJs. E os donos já escolheram sua música. Tirando um ou outro jornalista ou chargista do tamanho de um Jânio de Freitas, e há alguns, o coro é uníssono. Vejamos um trecho do Jânio na Folha de Domingo. “Lula equilibra-se apesar do bombardeio, nas últimas semanas, de páginas e páginas de cada diário e de vasto tempo nos telejornais e rádios, no esforço óbvio de produzir reflexos do caso Santo André sobre a candidatura de PT-PL. Serra permanece na mesma faixa embora a exposição privilegiada que recebe da mídia”.

E ainda há quem não queira ver esta realidade. Pegando carona no Jânio, vamos admitir que tudo o que a Policia Federal e o Tribunal Eleitoral estão querendo provar sobre Santo André seja verdade. E aí. O que isto representa em valores, se comparado as somas do tal tesoureiro do Serra. Lembram. Ninguém mais fala nele. Nem nome tem mais. Sumiu. Desapareceu. Ou melhor, quase. No dia 10 de julho Serra foi entrevistado no Jornal Nacional, do Globo, por William Banir e Fátima Bernardes. Lá pelas tantas, o assunto Ricardo Sergio de Oliveira teve que vir a tona. O candidato procurou se desvincular de qualquer ligação perigosa, e tudo ficaram por isso mesmo. Mas, se não fosse nesse momento, o tal Sergio teria ficado no esquecimento total de toda a mídia. Mais um sem-nome qualquer. Quem foi o mágico que operou o milagre deste sumiço. Um mês atrás a notícia parecia uma bomba. Hoje foi apagada totalmente da memória de um povo.

O mágico existe e tem nome: Mesquitas, Marinhos, Sirotsky, Civitas, e coleguinhas menores. Eles decidiram bloquear qualquer noticia sobre o tal Tesoureiro-Sem-Nome do Serra. E no lugar dele colocaram o caso “da propina em Santo André”.  E viva a imparcialidade e neutralidade da mídia.