Os noticiários televisivos, no Brasil, estão se esmerando em mostrar os prejuízos causados pela gripe aviária e, em um “esforço” de reportagem, mostrando também a preocupação com as aves migratórias que chegam ao litoral do país. A imprensa escrita fala das origens da doença, dos problemas causados nas exportações e nas preocupações dos produtores rurais. Nem uma só linha foi gasta, na nossa imprensa, para falar de uma questão muito mais séria vinculada a este problema.

1. Donald Rumsfeld e a gripe aviária!
Uma denúncia impressionante apareceu nas páginas do jornal estadunidense New York Times: “O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, é o dono da patente do medicamento para tratar a gripe aviária”! Segundo o jornal, Rumsfeld é obrigado a se abster nas decisões do governo estadunidense que envolvam questões de medicamentos, porque se recusou a vender suas ações da empresa Gilead Sciences Inc., a que patenteou o remédio anti-viral Tamiflu, específico para a gripe aviária. Antes de assumir o cargo de secretário de Defesa, ele era diretor da empresa. A empresa de Rumsfeld concedeu à multinacional Roche o direito de distribuir o medicamento. Matéria aqui.

2. Onze milhões de crianças morrem por doenças curáveis, por ano.
A Intermón Oxfam é uma organização internacional e denunciou, em documento publicado durante a semana, que a falta de medicamentos leva à morte cerca de 11 milhões de crianças por ano. O relatório diz também que mais de 2 milhões de pessoas em países “em desenvolvimento” não recebem tratamento médico por culpa dos elevados preços dos medicamentos.

A ONG Intermón Oxfam denuncia que as grandes empresas multinacionais farmacêuticas investem em pesquisas mas não atendem aos países pobres. As regras da Organização Mundial do Comércio permitem que os laboratórios sejam donos das “patentes” por 20 anos e, durante este longo período, as indústrias de medicamentos genéricos não podem produzir os remédios, que seriam entre 3 e 15 vezes mais baratos.

O relatório fala também do remédio Tamiflu, contra a gripe aviária, que só é distribuído pela multinacional suíça Roche, que pode decidir a quem concede licença para produzir o medicamento. A empresa teve um lucro líquido de 4,88 bilhões de euros, em 2004, e só concedeu o direito de produzir o Tamiflu a três países, nenhum deles entre os “em desenvolvimento”. 

3. Malária e tuberculose.
A malária apresenta 300 milhões de novos casos a cada ano, quase um milhão de mortes por ano, 90% entre crianças. Cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo estão infectadas pela tuberculose e mais de 1 bilhão sofre com algum tipo de parasita intestinal. Os dados são da Organização Mundial de Saúde, da ONU. No entanto, nos últimos 20 anos não surgiu nenhum remédio para combater estas doenças. Por que os laboratórios não se interessam por isto? Estes foram assuntos “esquecidos” pela nossa imprensa, tão “preocupada” com a gripe aviária!

(Por Ernesto Germano)