O bárbaro assassinato do garotinho carioca João Hélio está servindo para expor, outra vez, a face mais brutal da sociedade brasileira: o gosto pelo linchamento, o prazer da lei do “olho por olho, dente por dente”, a sanha da tortura.
Nesses dias de “comoção nacional”, espalha-se de novo o sentimento casuístico de que o endurecimento das penas salvará o país de novas “comoções nacionais”. Quem sabe não está na hora de quebrar a pedra da cláusula pétrea da pena de morte? A depender de alguns coleguinhas, talvez essa seja a solução. Como noticiou a Agência Estado na última terça-feira, 13, alguns profissionais da imprensa agrediram a socos e pontapés os suspeitos do crime, detidos na 30ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro. Segundo a agência, um operador de câmera declarou: “”Eu não acho que tem que bater não, tem que matar. Eu tenho uma filha de 6 anos”.