Acho que muitos de nós concordaríamos com a seguinte afirmação: os meios de comunicação de massa fazem a cabeça de muita gente, durante muito tempo.

Mas vamos pensar um pouco mais devagar nisso. Em primeiro lugar, isso quer dizer que a tal de “mídia” influencia decisivamente na nossa resposta a tais perguntas: você é contra ou a favor da estabilidade fiscal, da pena de morte, do superávit primário ou da convocação do Romário?

Porém, não é só isso. O que a mídia faz não é determinar a resposta válida. Ela tenta determinar quais as perguntas que são convenientes e quais aquelas que não devemos fazer. Quais os problemas relevantes e quais os que devemos esquecer. A mídia funciona como uma espécie de “Você decide” permanente. Só que… você decide…  mas antes eles decidem sobre o que é que você deve decidir.

Os temas que aparecem na novela das oito, no Jornal Nacional ou no Big Brother são os temas que aparecerão na conversa nossa de cada dia. E também… no debate político!

Talvez nos próximos meses os candidatos sejam obrigados a responder não quais problemas consideram mais importantes, mas quais respostas dão a problemas previamente selecionados pela mídia. E nós também seremos conduzidos a decidir a nossa opinião e o nosso voto “orientados” por essa  regra.

Temos como escapar dessa armadilha? Sim, mas esse também é um campo onde precisamos disputar a hegemonia com os donos do poder … e da mídia, claro. Precisamos pensar nisso: como botar os nossos temas na agenda do debate.

(Reginaldo “Régis” Moraes)