Em charge na capa do jornal “O Globo”, o presidente da Bolívia, Evo Morales, é mostrado ligando para Marcola, insinuando algum acerto entre eles [Clique aqui para ver a charge]. Não dá para entender a piada. Texto de Gilberto Maringoni na Carta Maior

Chico Caruso é um dos melhores chargistas de todos os tempos em todo o mundo. É um talento incomparável. A história do Brasil dos últimos 30 anos fica melhor contada se for acompanhada das charges desse paulistano de Vila Madalena. Sua entrada na imprensa gerou uma legião de imitadores, criando um “padrão Chico”, uma espécie de ISO-9000 de excelência gráfica.

Seus dois primeiros livros, compilações de seu trabalho cotidiano no Jornal do Brasil, são memoráveis. “Natureza morta e outros desenhos” (1979) e “Não tenho palavras” (1980) exibem as personagens do final da ditadura – Figueiredo, Leitão de Abreu, Golbery etc. – em flagrantes hilários que câmera alguma conseguiu jamais captar. Virtuoso do traço e simultaneamente popular, Chico arrebentava.

Em 1984, nosso herói surpreende novamente. Editou um álbum de pôsteres – “Pablo mon amour” – no qual combina pinturas de Picasso com sua pena afiada. Uma caricatura de Adolf Hitler posando nu para o gênio catalão, enquanto este pintava Guernica, é um ponto everestiano da caricatura universal.

Como se diz no interior, tive a honra de organizar um livro no qual estávamos juntos, na companhia de seu irmão Paulo, além de Laerte, Claudius, Negreiros, Glauco, Jal e Alcy. A apresentação era de Luís Fernando Veríssimo e o volume chamava-se “Os filhos da Dinda” (1992), sobre as desventuras do escândalo PC-Collor.

Ah, ele é ainda excelente pessoa e papo agradabilíssimo, além de protagonizar shows musicais de se rir às bandeiras despregadas com seu irmão e uma banda de cobras.

Pronto, a bola de Chico está pra lá de cheia (embora ele não precise disso). Agora vou falar de uma pisada feia que ele deu.