Belo Horizonte, 30 de Outubro de 2007 

Caro Vito Gianotti e Cláudia Santiago 

Em 8 de outubro de 1967 o Capitão Gary Prado, uma boina verde do Exército Boliviano, prometeu à Che Guevara um julgamento. Não cumpriu e Che Guevara foi fuzilado antes. 

Finalmente, 40 anos depois, a revista Veja deu a  Che um julgamento em que o Guerrilheiro foi condenado por não tomar  banho.  A tese da defesa de que a Guerrilha não acontecia num spa ou num shopping não pesou nesse julgamento. 

A condenação se deu pelo depoimento das testemunhas de acusação da revista “Veja”, Diogo Von Schelp e Duda Teixeira. Eles afirmam que: “Em seu diário de campanha em Sierra Maestra, Che antecipa o seu comportamento em la Cabaña. Ele descreve com naturalidade como executou Eutimio Guerra um rebelde acusado de colaborar com os soldados de Batista. “Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibe 32 no lado direito do crânio, como orifício de saída no lobol temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Seus bens agora me pertenciam”. 

É estupendo! A bala entrou e saiu … pelo mesmo lado do crânio! Deve ser  a famosa “bala mágica” de JFK! Vamos ter que chamar a equipe da Crossing Jordan (série policial que tem como personagem principal uma detetive médica). 

Acontece que na o diário da Campanha em Sierra Maestra, no capítulo “o fim de um traidor”, o que Che escreveu foi: “Ele (Eutimio Guerra) caiu de joelhos ante Fidel e simplesmente pediu que o matassem. Fidel lhe reprovou severamente a traição e Eutímio queria somente que o matassem, reconhecendo  sua falta. Foi uma longa e patética declamação que Eutimio escutou em silêncio, de cabeça baixa. Perguntaram-lhe se queria algo e  ele respondeu que sim, que queria que a Revolução, que nós nos encarregássemos de seus filhos. A Revolução cumpriu”. 

Portanto está configurado juridicamente o falso testemunho dos indigitados jornalistas Von Schelp e Teixeira.Ou seja: A revista Veja mente descaradamente, enganando os leitores , no afã de lavar as mãos imundas daqueles que a revista considera heróis verdadeiros, os agentes da Cia que ordenaram o assassinato de Che e de Lumunca, e de Allende, e de Mossadegh.   

A Revista Veja é Farsa! 

Nilson Adelino Azevedo