Por Pedro Munhoz (RS) 

1.

Quem contar traz à memória,

sabendo que a dor existe,

quando a morte ainda insiste,

em calar quem faz a História.

Pois quem morre não tem glória,

nem tão pouco desespera,

é um valente na guerra,

tomba, em nome da vida.

Da intenção ninguém duvida,

quando matam um Sem Terra. 

2.

Foi assim nesta jornada,

quando mataram mais um,

o companheiro ELTON BRUM,

não teve tempo prá nada.

Numa arma disparada,

o Estado é quem enterra

e uma vida se encerra,

em nome da covardia.

Toda a nossa rebeldia

quando matam um Sem Terra. 

3.

É o desatino fardado,

armado até os dentes,

até esquecem que são gente,

quando estão do outro lado.

(…)

Beiram o irracional,

quando matam um Sem Terra. 

(…)  

Em algum lugar da pampa,

ELTON deve de estar,

tranquilo no caminhar,

jeito humilde na estampa.

E algum céu se descampa,

coragem se retempera,

outras batalhas se espera,

dois projetos em disputa.

Não se desiste da luta,

quando matam um Sem Terra.