[Por Thalles Gomes] São necessárias três horas de caminhada por trilhas íngremes para chegar à comunidade Magò, zona rural do município de Pòdepè, Noroeste do Haiti. É de lá, no topo da montanha mais alta da região, contando com uma infraestrutura que se resume a uma antena e uma casa com paredes de barro batido, que a rádio comunitária Zèbtènite trava sua luta para romper o isolamento imposto aos camponeses haitianos.
“A Zèbtènite foi criada para reivindicar e defender a voz dos camponeses”, afirma Crisman Estinord, repórter e um dos coordenadores da rádio. Fundada em 1996 por famílias camponesas, a emissora ocupa desde então a frequência 97.1FM e funcionava seis dias por semana, com seis horas diárias de programação. A passagem do Furacão Hanna em 2008 avariou parte dos equipamentos de transmissão. Sem eles, foi preciso recorrer ao aluguel de geradores, e o alto preço da gasolina faz com que a Zèbtènite fique durante muitos dias
sem transmissão.
Essas mesmas dificuldades são compartilhadas por boa parte das rádios comunitárias existentes no Haiti. Segundo dados da Sociedade de Animação e Comunicação Social (SAKS), elas totalizam atualmente 30, instaladas principalmente nas comunidades rurais. A importância das rádios no país é enorme, pois no Haiti hoje e desde sempre o rádio é o meio de comunicação mais importante. Depois dele vem a televisão e a imprensa escrita. A utilização da internet como meio de comunicação começa a surgir como horizonte, mas ainda é incipiente devido à pouca difusão e dificuldade de acesso no meio popular.
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