O jornalista Altamiro Borges, do Portal Vermelho, foi palestrante da mesa Mídia e resistência na América Latina, juntamente com o professor Dênis de Moraes, da UFF. Ele lembrou que o curso do NPC começa quando termina o encontro da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que “reuniu 500 representantes da oligarquia midiática da América Latina”.
Borges e Moraes elogiaram revisão da Lei na Argentina, tanto pela sua metodologia democrática
de consulta à sociedade quanto pela coragem política da presidenta Kirchner de enfrentar o monopólio da comunicação do país. A lei propõe, por exemplo, a divisão de 1/3 do espectro da radiodifusão para o setor privado; 1/3 para o público; e 1/3 para a sociedade civil.
De acordo com a Folha de S.Paulo, o documento da SIP denuncia que “em todo o continente se observa uma injustificada tendência ao autoritarismo”. Não é de surpreender que o relatório aponte como países ameaçadores, além da Argentina, a Venezuela, a Bolívia, Cuba e Equador. “Inclusive o Brasil entrou na jogada! Creio que é por causa da realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, no fim do ano”, observou Altamiro Borges. Ele lembrou que a SIP, criada no pós-guerra, foi tomada de assalto pela CIA e esteve do lado dos EUA durante a Guerra Fria; esteve ligada à Ditadura de Somoza, na Nicarágua; fez parte de todo processo contra-revolucionário de Cuba; e se calou frente ao golpe midiático na Venezuela, em 2002.
Borges lembrou a postura conservadora e reacionária da mídia comercial em toda a América Latina. No Brasil, vimos a mídia comercial apoiar o Golpe de 1964 – exceto o Última Hora. No Chile, o El Mercúrio foi o principal preparador do golpe contra Allende; o El Clarin foi pivô no golpe militar da Argentina etc. Hoje, para Borges, essa mesma mídia é responsável por fazer a transição das ditaduras de fato às ditaduras do mercado, reproduzindo a ideia de que se tem que diminuir o papel do Estado, de que os trabalhadores públicos são marajás, e de que é preciso reduzir os direitos trabalhistas, porque são eles que engessam a economia do país.