[Por Sheila Jacob] O livro Escravizados e livres: experiências comuns na formação da classe trabalhadora carioca foi lançado no dia 17 de setembro na Universidade Federal Fluminense (UFF). O autor é Marcelo Badaró Mattos, professor do Departamento de História da UFF e pesquisador de História Social do Trabalho, área que aborda o mundo do trabalho e dos trabalhadores.
O livro privilegia o momento de formação da classe trabalhadora no Brasil, levando em conta a forte convivência entre escravos e livres no mercado de trabalho do Rio de Janeiro. A abordagem une a história de trabalhadores livres e escravos, artesãos e ex-escravos, apresentando o início do processo de formação da classe de trabalhadores a partir da segunda metade do século XIX.
Como o autor explica na introdução, este livro trabalha com a hipótese de que, para a conformação do perfil da nova classe de trabalhadores assalariados, foram decisivos certos fatores relacionados à escravidão, como: as lutas de escravos pela liberdade e as formas pelas quais as classes dominantes locais buscaram controlar seus escravos e conduzir um processo de desescravização sem maiores abalos em sua dominação.
A abordagem começa em 1850, auge e começo do declínio da presença escrava na cidade, fase dos primeiros confrontos grevistas e momento inicial da publicação de periódicos de trabalhadores. E termina nos primeiros anos da década de 1910, quando as experiências grevistas já eram comuns, os partidos operários/ socialistas surgiram, e as instituições sindicais já estavam constituídas.