Há poucos documentários políticos no nosso País. Ao mesmo tempo que somos quse os campeões mundiais em número de assassinatos, só conheço dois bons documentários a respeito da violência: Ônibus 174 e Entre Muros e Favelas.
O documentarista José Padilha, diretor do elogiável Ônibus 174, afirmou em debate no Rio de Janeiro, na primeira semana de outubro, que o Brasil não tem documentaristas políticos. A única exceção, segundo Padilha, é Tetê Moraes, que fez Terra para Rose e Sonho de Rose, sobre a luta dos Sem-terra no Sul do País. Um dos motivos seria a Lei do Áudio-visual e a Lei Rouanet, que deixam nas mãos das empresas a decisão do que vai ou não ser produzido. “Fiquei três anos buscando patrocínio para fazer um documentário sobre a fome. Não consegui nada. Só consegui após a eleição do Lula.”
De acordo com Padilha, o documentário está ressurgindo com força em todo o mundo. “Eles têm um potencial de influência política maior do que os filmes de ficção”. Para ele, o documentarista pretende que seus filmes reflitam a realidade e que a sua versão da história seja verdadeira.
Conta que quando fez 174 não pensava em fazer um filme político mas sim uma obra que contasse a vida de uma pessoa, no caso do jovem Sandro Nascimento. Padilha contou que descobriu que era um filme político quando foi pressionado pelo secretário das Culturas da Prefeitura do Rio de Janeiro, Ricardo Macieira, a retirar do filme o depoimento do sociólogo Luís Eduardo Soares. A Rio Filmes, da prefeitura, é uma das distribuidoras do filme.
Em entrevista a Neusa Barbosa do portal Cineweb em 8 de janeiro de 2003, Padilha assim definiu o seu personagem Sandro: “Das grandes tragédias do Rio de Janeiro – Candelária, Vigário Geral e Ônibus 174 -, ele esteve nas três. O Sandro representa um tipo, o menino de rua, que é importante na vida de todo mundo.”
Por Claudia Santiago