O jornal carioca O Globo está em campanha aberta pela remoção de favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro. Encontra eco em alguns de seus leitores. Na seção cartas do dia 4 de outubro, um senhor, provavelmente da “raça” do senador Bonhausen propõe ao prefeito César Maia que “lance um programa efetivo  de remoção de favelas e controle da natalidade para população de baixa renda”. Para este não basta remover os pobres, tem também que impedir que nasçam. 

Na edição do dia seguinte, 5 de outubro, no meio do noticiário é colocada, em destaque, a opinião do jornal: “Opinião. Chance. De imagem historicamente desgastada, conhecida como Gaiola de Ouro, a Câmara dos Vereadores tem a rara oportunidade de ser útil a todos os cariocas. Ao deliberar sobre o problema da favelização para ajudar a resolvê-lo os vereadores podem reparar em parte essa imagem construída à base de muita mordomia, debates dispensáveis e projetos de leis desprezíveis.”

Desfavelização é um eufemismo para dizer: jogar os moradores das favelas para qualquer destino, não importa qual, desde que não atrapalhem a visão paradisíaca, e em segurança, dos que moram no asfalto da Cidade Maravilhosa.

Um belo exemplo do que ensinou Antônio Gramsci sobre a atuação do jornal como partido. O que O Globo vem fazendo no caso da remoção de favelas é atuação partidária. De direita, é claro.

Nota de edição.
Se você, leitor do Boletim do NPC, mora em favela, escreva para nós e diga qual a sua opinião sobre o assunto.

Por Claudia Santiago