. “(…) Por fim, devo dizer que sempre pensei a existência como algo muito mais complexo do que um mero embate entre ricos e pobres, esquerda e direita, conservadores e progressistas, excluídos e privilegiados. O tosco debate em torno do desabafo nervoso de Huck pôs novas pulgas na minha orelha. Ao que parece, desde as priscas eras, o problema do mundo é mesmo um só – uma luta de classes cruel e sem fim”.

Zeca Baleiro, cantor e compositor maranhense.

. “Quando mergulhamos nesse submundo descobrimos o quanto o Estado está envolvido. Portanto, onde está o Estado observamos o crime organizadonão temos como deixar de dizer que o Estado tem o seu lado bandido. Por causa da grande corrupção inerente a ele e das organizações criminosas que se formam dentro dele, o Estado não consegue funcionar adequadamente para combater o crime … Esse é um grande problema da academia brasileira e da imprensa. Não podemos reconhecer o crime organizado só nos morros … no Brasil o crime está associado ao Estado … ou nascendo dentro do Estado.”

Adriano Oliveira, autor do recém-lançado “Tráfico de drogas e crime organizado, peças e mecanismos”.

.É claro que o camarada tem o direito de pensar diferente de mim, ele pode ser contra a reforma agrária, ser contra as cotas: isso é um direito dele. Mas, se nós nos sentarmos para conversar, de cristão para cristão, considerando o que Jesus Cristo viveu, fez e ensinou, eu acho que ele vai ter dificuldade de se explicar. É muito difícil um cristão explicar por que é contra a redistribuição das terras quando o profeta Isaías diz: Ai dos que juntam casa sobre casa e terra sobre terra até serem os únicos moradores do lugar[6]. O que isso significa? Que tem limite. Eu não posso ter tudo que quero. Eu só posso ter aquilo que não imponha ao próximo viver embaixo da ponte, em casas de papelão e de madeira. Tem de ter limite“.

[Ariovaldo Ramos, um dos líderes da esquerda evangélica. Le Monde Diplomatique / out. 2007]