
[Por Claudia Santiago] Na noite do dia 30 de janeiro, redes coloridas se espalhavam pela Universidade Federal Rural da Amazônia, em Belém. Elas pareciam enfeite de parede para receber os que chegavam para a cerimônia pelo sexto aniversário do jornal Brasil de Fato. Não eram, não. É que ali estavam hospedados integrantes do MST que foram a Belém participar do Fórum Social Mundial. Após a festa, as redes foram estendidas e abrigaram corpos bem cansados.
Mas… voltando à cerimônia. Foi simples e bonita. Jornalistas de diversos países, comprometidos com a luta dos povos, se revezaram ao microfone para saudar a única publicação semanal brasileira vendida em bancas.
“O Brasil de Fato é um instrumento da luta de classes”, afirmou o editor do jornal, Nilton Viana. Para ele, a ditadura hoje se apresenta através do monopólio da informação, controlada pelo capital financeira e transnacional. “A cada ano que completarmos comemoraremos mais um ano de resistência ajudando a formar a classe trabalhadora para que ela faça as transformações necessárias”, declarou.
A atividade contou com a presença de várias personalidades. Entre elas, a médica Aleida Guevara, que se define como “Hija de la Revolución e hija biologica del Che”. É emocionante mirar o rosto de Aleida, bem parecido com o do pai. Impossível não pensar em tudo o que o nome Guevara significa para a esquerda latino-americana.
Vito Giannotti, um dos coordenadores do NPC, convidado a dar o seu depoimento sobre o Jornal, não perdeu tempo. Enfatizou a necessidade de ler, divulgar assinar e presentear os amigos com o Brasil de Fato. “Um grande instrumento para a disputa de hegemonia com nossos inimigos de classe”, disse.
O último orador foi João Pedro Stédile, da direção nacional do MST. Stédile lembrou a tradição revolucionária da esquerda européia de construir jornais, boletins e programas de rádio. E criticou os partidos de esquerda que trocaram a sua voz por três minutos da televisão. “Alguns chegaram a dizer que a imprensa é neutra”.
O dirigente do MST destacou que, embora o Brasil de Fato não tenha se consolidado como um jornal de massas, como era seu objetivo inicial, “tiragens extras de até 2 milhões de exemplares são feitas quando a conjuntura exige”.
Para ele, a comunicação de esquerda é central no mundo, hoje. “Durantes os séculos XIX e XX, a burguesia reproduzia suas idéias através da escola, da igreja, dos partidos. Agora, a televisão é o principal instrumento para transmitir a ideologia burguesa”.