“Terras, máquinas, alimentos e bibliotecas. E depois deixar que ele (o trabalhador) se desenvolva na medida de suas energias. Nada disso hoje se vê. Mas o futuro dirá se isto é realidade ou loucura”. A frase, que poderia ter sido dita no nosso século, foi sabiamente proferida no auge das primeiras agitações e organizações dos trabalhadores no Brasil, no ínicio do século XX, por um trabalhador imigrante.

Vale à pena lembrar que no dia 12 de julho a greve geral que parou São Paulo completou 85 anos. A greve geral de 1917 mobilizou mais de 40 mil operários, na sua grande maioria formada por imigrantes italianos, espanhóis e portugueses. Ao mesmo tempo que enterravam o jovem operário José Martinez, assassinado pela polícia no dia 9 de julho, em manifestações na cidade de São Paulo, os trabalhadores, enlutados, reafirmaram suas reivindicações: aumento salarial, jornada de oito horas diárias, respeito ao direito de associação, proibição da jornada noturno para mulheres e jovens menores de 18 anos, entre outras.

Como saudade (ainda bem!) não tem idade e memória faz bem obrigado, vale à pena também dar uma olhada no documentário “Os Libertários”, de Lauro Escorel Filho. Em rápidos 26 minutos, o documentário nos devolve (ou nos lembra) a importante história da formação da classe operária no Brasil. E talvez nos avise que perder o passado é vagar pelo presente e não existir no futuro.

Que os trabalhadores não só guardem e conheçam a sua história, mas que façam ainda mais histórias com terra, liberdade, pão e alfabeto para todos!

(Rosângela Gil – Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista)