Uma pesquisa da jornalista Denise Assis mostra como o cinema, por meio dos curta-metragens, serviu para criar e fortalecer o Golpe Civil-militar de 1964. Em seu livro Propaganda e cinema a serviço do golpe (1962/1964), Denise mostra a articulação entre empresariado, instituições e mídia, principalmente o cinema, para enfraquecer o governo reformista de João Goulart, criminalizar os militantes de esquerda e defender o golpe.
Como ela retoma, no dia 29 de novembro de 1961 foi lançado oficialmente o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES). A organização foi apenas mais uma das muitas instituições criadas para utilizar técnicas de comunicação com o objetivo de pavimentar um golpe de direita no Brasil. O IPES, assim como as demais, aproximou o bloco conservador do país aos profissionais da mídia, principalmente da televisão. Também lançou e divulgou livros considerados oportunos, como Continuísmo e comunismo, de Glycon de Paiva; Como os vermelhos preparam uma arruaça, de Eugene H. Metherin; e As defesas da democracia, de Gustavo Corção.
Além dos livros, o instituto também investiu em cinema. Foram filmes e mais filmes que defendiam o engajamento do empresariado e criticavam os comunistas – os quais, aliados aos movimentos sociais, supostamente prejudicavam os investimentos no país, impedindo a “evolução da nação”.
Alguns dos títulos produzidos para o Ipes foram: – O Brasil precisa de você/ – Nordeste, problema Nº 1/ – História de um maquinista/ – A vida marítima/ – Depende de mim / – A boa empresa / – Uma economia estrangulada / – O Ipes é o seguinte / – Portos paralíticos / – Criando homens livres /– Deixem o estudante estudar / – Que é a democracia? / – Conceito de empresa