No mesmo O Globo de 14 de maio, uma reportagem inteligente de Eliane Oliveira, de La Paz, nos dá uma exata visão da Bolívia dividida em dois campos. “Esse cenário divide o país entre aqueles que consideram Morales a única pessoa capaz de adotar medidas concretas de inclusão social e crescimento econômico sustentado – das classes mais pobres – e os que criticam o presidente, devido a seu forte discurso e sua clara parceria com o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Entre os mais céticos estão representantes das classes média e alta.”

Os depoimentos relatados são o reflexo fiel deste quadro. De um lado a esperança dos pobres, do outro o ódio da classe média e alta.

O que está em jogo, na Bolívia, é a continuidade de 500 anos de uma história de saques e carnificinas feitas desde a antiga Espanha aos atuais EUA. Está em jogo a continuidade do saque de suas riquezas naturais: prata, estanho, cobre, salitre e, agora, gás, ou o começo de uma nova Bolívia nas mãos do seu povo. Um povo que foi escravizado e esmagado, no fundo das suas minas, para garantir a alegria e a acumulação de capital nas mãos do capitalismo europeu.

Sim, a Bolívia está dividida entre os 90% de índios, explorados e vendidos durante 500 anos e os 10% que se beneficiaram e se beneficiam desta situação. Para entender esta divisão e a batalha atual, na Bolívia, há uma novidade, para o Brasil, nas locadoras de filmes: “A Batalha do Chile”.

São três filmes do chileno Patrício Guzmán, que durante mais de quatro horas reconstróem a tragédia do Chile, país que tentou seu caminho na construção de um projeto socialista. No Chile, também, havia uma classe média e alta que queria impedir qualquer mudança social. E havia os trabalhadores e o povo pobre que queriam um novo país, justo, livre, independente e socialista.

A Batalha do Chile, considerado um dos dez melhores filmes políticos da história do cinema no mundo, é imperdível. É uma chave para entender a Bolívia de hoje. O filme não é uma simples aula. É um curso completo de história e política.

(Por Claudia Santiago)

O BoletimNPC insiste. Vejam a “Batalha do Chile”. Está é a terceira vez que tratamos desta obra no nosso informativo. É indispensável para todos os militantes dos Movimentos Sociais e para os que querem entender como funciona o mundo.

Dica: Coloque o primeiro DVD no aparelho numa tarde de domingo por volta das 17h, depois daquela soneca gostosa que sucede a macarronada dominical. Você vai sair da frente da tela no dia seguinte. Ah! Tem direito a paradinhas para a merenda. O três filmes mais o disco com os extras são seis horas de projeção.