O Globo de domingo,  1/05, na página 36 do Caderno de Economia, nos dá uma bela aula. A manchete “Lula sobre Evo: muita fumaça e pouco fogo” traduz a vontade do jornal de desqualificar o presidente da Bolívia, Evo Morales, que estaria dando péssimas lições para a América Latina, na visão do jornal.

A estrutura da manchete é simples e direta. Qualquer um, após sua leitura, vai concluir imediatamente que Evo Morales não é um cara sério, consistente, confiável. Ele é “muita fumaça e pouco fogo”. Ou seja, não é lá grandes coisas. 

No curto artigo se vê que não é isso que Lula disse do colega. Vejamos suas palavras: “Para Lula, a crise com a Bolívia, criada pelos ataques de Morales à Petrobrás, que ele acusa de manter atitudes “ilegais”, está encerrada: tinha muita fumaça e pouco fogo. Tanto o presidente Morales, quanto o do Brasil compreendem a necessidade de que a única chance que temos de nos desenvolver é a paz na América Latina”.

Por que  O Globo fez aquela manchete? Correria de fechamento de jornal? Descuido? Nada disso! Simplesmente porque O Globo e toda a grande mídia (menos Carta Capital) estão torcendo, junto com Bush, para fazer desaparecer Evo Morales do mapa. O Globo usa todo o seu poderio para fazer isso.

Desde 1º de Maio, quando Morales anunciou a nacionalização do gás, em seu país, toda a mídia de direita ficou alvoroçada. Toda a mídia burguesa teve ataques de ódio e nojo contra Morales. E não foi só contra ele… mas também contra Chávez.

O Globo e seus congêneres estão certos. É assim que eles todos agem. É assim que garantem o cimento ideológico para manter a hegemonia nas mãos dos atuais donos do nosso País. É por isso que é preciso, mais do que nunca, criar, melhorar, incentivar a mídia alternativa. 

(Por Claudia Santiago)

Para entender a disputa de hegemonia travada nos grandes meios de comunicação, uma boa dica é assistir atentamente aos telejornais e, quem tiver TV a cabo, à GloboNews. Nesta última, desde as primeiras horas da manhã são transmitidas lições sobre o que a empresa chama de atraso. Seja nas reivindicações dos jovens franceses, seja na defesa soberana do seu subsolo por um país, como está sendo o caso da Bolívia. Na manhã da última terça, dia 16, a política de tolerância zero aplicada na cidade de Nova Iorque é sugerida, em edições seguidas, como a única solução para o trágico acontecimento nos últimos dias na cidade de São Paulo.