É um fenômeno que está acontecendo em todas as capitais. Os grandes jornais estão vendendo jornais menores, em geral em tamanho tablóide, para atingir a um publico que não é o leitor habitual dos jornalões.

No Rio, filhos do já tradicional O Dia, ultimamente nasceram dois rebentos totalmente diferentes. O jornal “Q” tentou se firmar como um jornal alternativo inteligente, com uma pauta bem elaborada e uma edição de arte, sem apelar para sexo, sangue e o mundo cão do noticiário policial. Não vingou. Meia Hora é outro jornal saído da raiz de O Dia e continua vivo. Diz não querer apelação barata. Pelo menos é o que diz.

Sempre no Rio, O Globo, lançou um tablóide apelativo para as classes que nunca compraria jornal: Expresso.

O fenômeno se repete em muitas capitais. Em Belo Horizonte, por exemplo, o grupo do jornal O Tempo, lançou o tablóide Super. O Estado de Minas está tentando um novo produto, o Aqui.

No Rio Grande do Sul o sucesso é do clássico jornal vazio, só recheado de crimes, sangue, futebol e mulher pelada Diário Gaúcho, do grupo Sirotsky, dono do Zero Hora.

A formula é a mesma: notícias banais, inúteis, quase nenhuma informação política e repetição de todos os chavões, sobre violência, preconceitos sexuais e sociais e reafirmação de visão de mundo dominante.

Esse esforço da burguesia para criar hábito de leitura entre os atuais “sem-jornal”, mostra e reafirma que há espaço para a esquerda criar novos nichos de leitores. Há possíveis leitores, sim. O problema é descobri-los e cativá-los com nossos novos jornais.