O coordenador do MST, João Pedro Stédile, escreveu uma carta ao jornalista Luis Nassif para esclarecer uma matéria veiculada pelo jornal Zero Hora na qual teria feito uma “autocrítica sobre o tema das ocupações das propriedades”. Como justifica Stédile, o repórter do jornal de Porto Alegre o entrevistou por mais de uma hora, mas “depois editou de acordo com os interesses de seus patrões”. Segue abaixo um trecho da nota escrita pelo coordenador do MST:  

“Estamos num novo período histórico, determinado pelo avanço do capitalismo internacional e financeiro sobre a agricultura brasileira, que leva a uma disputa entre dois projetos socioeconômicos para organizar a produção agrícola. De um lado, os latifundiários “modernizados” (em geral, propriedades acima de 500 hectares), que construíram uma aliança com as empresas transnacionais, fornecedoras de insumos, sementes e compradoras da produção. Além de expulsar o povo do interior para as grandes cidades, é agressor do ambiente, pois o monocultivo destrói todas as outras formas de vida vegetal e animal, e só consegue produzir com elevado uso de venenos agrícolas. (…) Do outro lado, temos a agricultura familiar, que prioriza o mercado interno, por meio de práticas agrícolas em equilíbrio com a natureza. (…)

Em outro ciclo histórico, a ocupação de terras era a principal forma de luta. Agora a ocupação de terras é insuficiente para enfrentar o modelo do agronegócio. Por isso, além das ocupações, (…) devemos desenvolver novas formas de luta, para conscientizar a sociedade das perversidades do agronegócio e suas consequências para o nosso povo e para toda a sociedade”.
Leia a nota de João Pedro Stédile na íntegra: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/04/07/o-mst-e-a-ocupacao-de-terras/